2 - EXERCÍCIOS RESPIRATÓRIOS
Em situações de permanência prolongada em leito
hospitalar, o acúmulo de secreções é um transtorno ocasionado pela
imobilidade. Contudo, a conduta atual de mobilização precoce, através da
constante troca de posicionamento e da realização de exercícios
respiratórios, promove não só a limpeza das vias aéreas, como também previni
atelectasias e pneumonias pós-operatórias. Adicionalmente, há uma melhora da
ventilação e da função pulmonar, gerando ganho de qualidade de vida desse
paciente.
Em âmbito ambulatorial, os exercícios respiratórios visam promover a
aprendizagem de um padrão respiratório normal, a conscientização dos
movimentos tóraco-abdominais, o ganho de força da musculatura respiratória,
a realização de atividades físicas e metabólicas de forma satisfatória e com
um gasto energético mínimo, a reexpansão pulmonar, o aumento da ventilação e
da oxigenação e a melhora da mobilidade da caixa torácia.
Todos esses aspectos contribuem para a prevenção de complicações adicionais
ou reincidivas com exacerbação de sinais e sintomas.
É importante que o paciente receba orientações sobre o tempo inspiratório e
expiratório, sobre a profundidade da respiração e quanto ao padrão
respiratório mais adequado, bem como a maneira de utilizar corretamente a
musculatura inspiratória e o ensinamento de que a inspiração deve ser feita
pelo nariz, ao passo que a expiração deve ser efetuada pela boca.
Os exercícios de fortalecimento da musculatura respiratória assoaciados à
respiração são bastante importantes, pois em um momento mais avançado,
quando o paciente se submeter a esforços físicos maiores, representará uma
vantagem mecânica indispensável para se obter um bom desempenho
respiratório.Podem ser realizados através da respiração contra-resistida, da
respiração mantida, da respiração fracionada, da expiração prolongada, de
exercícios cinesioterápicos para a musculatura abdominal, além do uso de
instrumentos como o Threshold, Triflo, Inflex, a coluna d´água e o
manuovacuômetro para o ganho de força e resistência muscular respiratória.
A estimulação diafragmática visa ensinar o paciente a respirar de forma
adequada, utilizando o diafragma e, ao mesmo tempo, objetiva promover o
relaxamento da musculatura acessória, pois quando solicitada por um período
prolongado, além de representar uma desvantagem biomecânica, é responsável
por alterações e deformidades posturais. Para isso, é importante a
exploração de recursos sensoriais, visuais e proprioceptivos utilizando-se
de objetos como pesinhos, espelhos ou até mesmo as próprias mãos.
Exercícios de alongamento do músculo diafragma, através da dissociação das
cinturas pélvica e escapular, são importantes, pois geram, condições para
que esse músculo, antes retraído, ganhe comprimento e volte a contrair-se
com mais potência.
As sessões podem ser realizadas em grupo ou individualmente, com duração de
1 hora, nas quais a aprendizagem do padrão respiratório do tipo
diafragmático será enfatizada. Além disso, exercícios de membro e tronco
também serão trabalhados. Os exercícios devem ser executados na posição mais
conveniente e confortável e podem contar com o auxílio de material adicional
como cordas, bolas, bastões, bexigas ou aparelhos mais específicos como
incentivadores respiratórios e fortalecedores musculares.